
Quando se entra na escola é tão bom, vc aprende a fazer amigos, aprende a conviver com várias pessoas diferentes num mesmo lugar e ja recebe noções de comportamento, responsabilidade, respeito, obrigação, merecimento e reconhecimento.
Depois disso aprendido é hora do conhecimento, são somas, regras do português, descobrimento e localização do Brasil, corpo humano e até mesmo canções para se pular corda e muitos trabalhos.
As novas matérias parecem nunca ter fim, ja são agora multiplicações/divisões, mais regras do português, revolução francesa, teoria de Darwin e leis de Newton e alguns trabalhos. Ja se aprendeu nesse momento sobre copiar dever e colar em provas. As notas são cada vez mais cobradas por pais, professores e pela recuperação que está por vir.
Começamos a ficar cansados, agora ja estamos com '3 pi sobre 5', fórmulas enormes, reações/soluções, mais e mais regras do português, tipos de clima, de chuva e nuvens, várias revoltas e datas em lugares diferentes, classificação de seres vivos de A a Z, movimento dos planetas, densidade e vários filósofos diferentes com pensamentos diferentes, poucos trabalhos e aulas complementares a tarde, que é quando se aprende a matá-las jogando sinuca depois de um prato de tropeiro. Olá, recuperação final! (A educação física?! Já quase não se sabe o que é isso).
Agora estamos cansados! Temos tudo o que vimos nos passados anos e o que ainda nos falta conhecer. Número imaginário (i), geometria sólida, fórmulas ainda maiores do que as anteriores, campo elétrico/magnético, corrente elétrica, pouquíssimos trabalhos. Porém, é um ano diferente, é o último...TERCEIRO ANO...durante o decorrer do ano, desde o momento em que se entra na sala, tudo parece normal, os meninos e meninas enormes que antes passaram por aquela sala eram tão normais quanto eu, eu que era mesmo pequena (mais que atualmente). Não há magia, não há grande mudança em nossas mentes.
Esse ano é marcado sempre pela viagem, pela dedicação e luta da comissão, das rifas, dos festivais, das camisas e do baile.
Mas é nos mêses anteriores ao vestibular que nos damos conta do que está a nossa frente, o futuro profissional e adulto, a verdadeira responsabilidade e autonomia, o poder de uma escolha. (E mesmo assim ainda nos distraímos com as bobagens de sempre e matamos as aulas agora com truco)
Grande dia, dia de prova, uma enorme multidão concentrada para escolhas diferentes mas com o mesmo objetivo, um pouco cansativo mas gratificante. A chegada em casa pode-se considerar bastante emocionante, hora de conferir o gabarito e cada questão errada parece um dever que se deixou de fazer, uma aula matada, aqueeeela matéria que você sabia mas não praticou. Pode ser um pouco alarmante. Conferido o gabarito, 50%! Nada excelente, mas bom! Hora de esperar a correção das redações e o resultado final. E se concentrar para o próximo grande dia.
E então...Aprovada!! Você se enche de alegria, de orgulho, de um sentimento de realização com pitada de alívio, corre para realizar a matrícula e alegra a todos com a notícia. Há comemorações, abraços, declarações, muitos parabéns. E nesse momento se cria uma enorme preguiça de continuar com a escola, sabendo que o mais importante ja foi alcaçado, mas de nada adianta aprovação apenas de um.
São as últimas semanas e o sentimento pelos amigos e colegas parece crescer e o coração aperta só de pensar que aquela rotina vai ser deixada para trás. Nesse momento o ano muda completamente. O cansaço?! Agora ja não se sabe o que é ele. A vontade de ir na escola é reflexo da conciência de que aquilo alí acabará, que se tem que aproveitar. As dinâmicas são repletas de choro, abraços e até mesmo pedidos de perdão.
O peso do terceiro ano, pra mim, está bem nesse ponto, dizer que é o ÚLTIMO.
Mais grandes dias ocorrem, mais aprovações ou não, mais felicidade pelos colegas que também conseguiram, pelos que não conseguiram mas não vão desistir, pelo orgulho e reconhecimento dos pais.
Dia de pegar o boletim no colégio, reencontrar alguns amigos e realmente dizer que acabou. Aprovada! Voltar pra casa...
Dia de pegar o boletim no colégio, reencontrar alguns amigos e realmente dizer que acabou. Aprovada! Voltar pra casa...
Primeiros dias de férias, sempre tão desejadas! Mas com o passar do tempo, se sente um vazio. Antes era bom pensar que veria de novo 'aquele' professor, estaria 'naquele' colégio, veria 'aquele' amigo todos os dias, ficaria 'naquele' lugar durante o intervalo. Dessa vez, esse sentimento simplesmente não existe, o que está na frente é novo, desconhecido, é mais assustador que mudança de colégio no meio do ano (está sendo), mas ao mesmo tempo desafiador, curioso e desperta interesse.
Outro peso é dizer que passou rápido demais, que se tem vontade de voltar no primeiro dia de aula, mesmo com todas as dificuldade, fazer tudo de novo, viver novamente tudo o que ocorreu alí e não perder simplesmente nada, nenhum segundo.
É nesse fim que está a magia, o crescimento, o amadurecimento, todo o aprendizado, toda uma bagagem que te acompanhará pro resto da vida.
Leticia Leão

2 comentários:
Oun Pekena, é tão bom ver seus pensamentos sendo expressados por outros com a mesma intensidade e emoção. Terceiro ano é apenas uma fase de escolhas e passagem das várias que ainda iremos ter.É triste pensar que aquele abraço caloroso,aquele sorriso que é como o brilho do sol em dia ensolarado, aquela conversa de todo dia ou até mesmo o 'bom dia' tradicional ficaram para aqueles adolescentes,imaturos, medrosos que eramos antes. A vida segue, as crianças crescem,os adolescentes amadurecem e criam confiança pra seguir a caminhada com a cabeça erguida e os olhos adiante. Lembrando das coisas boas que deixamos,mas sempre com a alegria que virá mais e mais.A sala de aula hoje se torna o lugar de trabalho, o professor ? seu chefe e os amigos ? CONTINUAM SENDO OS MELHORES E INESQUECIVEIS!
Te amo Pekena, e saiba que nossa amizade irá pro resto da vida. Verdadeiros amigos se guarda no coração a sete chaves =D
A escola é um tempo necessário. Feito de alegrias, angústias, saudades, crescimento e tantas outras coisas mais. Com certeza, quem viveu esse tempo, em sua plenitude, conseguiu absorver os primeiros caminhos para se alcançar realizações pela vida.
Ainda hoje me lembro de meus professores, colegas, trabalhos e notas de provas. Ah! e claro também, das aulas que matei, da bagunças que fiz. Nada em exagero, afinal a responsabilidade sempre se fazia presente.
Certo é que lembro ainda com saudades dos meus tempos de escola tão em retratados nas muitas linhas desta linda menina/garota a quem eu tanto amo.
Seu texto é lindo e apaixonante.
Beijos mil
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